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uma longa história

28
Mar20

olá malta...

O último mês tem sido meio estranho. Não falei nada por aqui, não descontei em vocês, mantive-me caladinha. Mas a verdade é que senti que o Universo me estava a testar. E não falo do vírus, atenção, era algo mais... Meu.

Tive tantas dúvidas... Fazer ou não fazer? Sentir ou não sentir? Como se sentir fosse algo que nós controlamos. Mudar a minha vida por completo ou deixar as ondas acalmar? Eu estava assustada, malta, mesmo... Porque o chão parecia tremer por baixo dos meus pés e deixem-me dizer-vos que não sou nada boa de equilíbrio!

Eu sentia-me diferente... Não fisicamente, talvez espiritualmente, não sei. E foi tudo muito esquisito! Mas sabem quando, em algum momento do dia (ou da noite) vos parece aparecer uma lâmpada brilhante por cima da cabeça e todas as células do vosso corpo gritam "É ISSO!"? Pronto, foi o que eu senti.

Desculpem desde já este texto manhoso, é que estou a escrever conforme penso, sem me importar muito com a pontuação certa ou se faz sentido ou não. Isto é o que eu chamo: um desabafo nú! Daqueles que o nosso cérebro envia diretamente para os dedos. Daqueles que não precisamos arrancar; saem naturalmente.

Eu tive o momento Eureka da minha vida, onde pareceu que tudo, mas tudo mesmo fez sentido. Ainda não sei se é o certo, porque sabem, isto do "fazer sentido" é relativo. Ainda não sei se devo ou não, mas... Acho que sim. É o que o meu coração manda.

Sei que, quem ler isto, vai estar a achar-me uma maluquinha porque não vai estar a perceber nada, mas calma, já lá chego. Quer dizer... Vou chegar pela metade, mas vou chegar.

No meio de tantas coisas que eu sinto, penso e quero, agora, uma delas é mudar este cantinho. Por isso vou mudar.

Eu sei, eu sei, este blogue era o tal... Mas querem o quê, sou uma basic bitch assumida. Estou a brincar ok! E não é da falta do que fazer, não se preocupem, é mesmo de mim, é mesmo do meu agora.

Não vou sair daqui, calminha, sei que faço muita falta nas vossas vidas e que sem mim não são ninguém. Isto é o meu sítio, malta, alguma vez Mariana deixava o mundo dos blogues? Este bairro vai comigo para a cova, perceberam? Hei de ser um dinossauro e continuar a teclar! Vou ser a cota dos blogues! Mas... Não aqui, não no Uma Longa História.

Eu sei do que "abdico"... Nunca tive tantos posts, comentários e seguidores! Mas isso para mim não é o mais importante. E se para vocês é, permitam-me dizer que estão a viver isto de forma errada (mas quem sou eu, não é?).

Obrigadinha a todos os que levaram comigo desde agosto até agora, aos que me "ouviram" e, através de palavras, me abraçaram. Obrigadinha, amigos. Aceito-vos de coração na minha nova casa, no novo apartamento, no mais recente cantinho, na tasca do bairro, no estaminé, na porra que vocês lhe queiram chamar... aqui :). Claro que, se não quiserem acompanhar-me estão à vontade, mas detalhe: depois não precisam de me tratar como se eu fosse a ex que encontram na rua, ok? Continuamos amigos na mesma.

Um xi-coração, uma beijoca e vemo-nos por aí, vizinhos. 

 

ps: o meu novo blogue ainda está despido... ainda só o pintei e arrumei, mas rapidamente vou começar a mobilá-lo. também vou começar a seguir os meus blogues favoritos, não prometo é ser já amanhã. por último: não sei o que fazer quanto a este cantinho e gostava que me ajudassem! deixo-o aberto por agora? elimino-o? troco de endereço para que alguém que, algures no tempo o queira usar, tenha essa possibilidade? agradeço conselhos :)

22
Mar20

saudade

Hoje chorei. Acho que bati uma espécie de recorde pessoal por ficar "tantos" dias sem chorar... Mas hoje as lágrimas desceram. Estava no duche, com a água quente e supostamente relaxante a descer pelo corpo... Mas não me sentia relaxada. Permiti-me chorar porque senti o meu peito esmagado pela falta que me fazes, avô!

Todos os dias sinto a tua falta... Mesmo sem saber, o vazio está aqui... Sempre tão presente! Não preciso de pensar em ti para que ele exista, para que ele doa... Ele dói mesmo inconscientemente.

Partiste era eu pequena... Não tinha idade nem maturidade para lidar com o luto - ainda hoje não tenho. Lembro-me que os "senhores da ambulância" (como eu chamava) te vieram buscar. Estava muita gente em casa... Ou pouca, não me lembro se eu via muita gente por ser um espaço pequeno e também eu ser pequena. Toda a gente me disse para te dar um beijinho enquanto os "senhores da ambulância" esperavam a minha reacção. Eu neguei, não te quis dar um beijinho. Na minha cabeça dar-te um beijinho era despedir-me de ti, e despedir-me de ti significava que não voltavas. Já sem paciência, obrigaram-me a dar-te o beijinho e eu lá dei... Mal sabia eu que não ias voltar mesmo. Passaram-se semanas ou meses? Não sei. Mas tu continuavas no hospital. Eu odeio hospitais. Odeio aquele cheiro que lembra a morte. Odeio aquele cheiro que lembra o fio delicado que nos une à vida. Odeio médicos e enfermeiros, sobretudo enfermeiros... Porque nunca cuidaram bem da avó quando ela também no hospital esteve. Mas e de ti, avô, cuidaram bem? Nunca te fui visitar, era "muito pequena para isso", diziam... Também nunca pedi para te ver, tu sabes que eu sempre guardei tudo para mim, principalmente sentimentos. Houve um dia em que a mãe se vestiu toda de preto, e eu perguntei-lhe porquê. Ela chorou e disse que eu sabia o motivo, mas eu não sabia avô... Ou sabia? Não sei. Ela e o tio é que decidiram deixar-te partir. Ela e o tio é que deixaram que te desligassem as máquinas. Quanta coragem é preciso para autorizar? Quanta coragem é preciso para desligar a máquina que mantém alguém vivo? E a partir desse dia, acho que foi uma quinta-feira mas não quero confirmar nada, o meu escudo protector rompeu-se. Eras tu quem me defendia, quem dizia à mãe "ai de ti que batas na menina!" quando ela me queria bater... Eras tu que me protegias de tudo e todos. E do nada isso quebrou-se. E ao se quebrar, tudo de mal apareceu ao mesmo tempo! Demónios, tantos demónios. E eu fui obrigada a combatê-los a todos. E eu sou obrigada a combatê-los a todos. 

Eu sei que errei muito nesta minha curta vida. São vinte e três anos de batalhas internas e externas. São vinte e três anos de erros e acertos. Sei que algures no tempo deixei de ser a tua menina... A tua menina de "olhinhos de azeitona", que era como me chamavas por os meus olhos serem escuros como a noite. E eu peço tantas desculpas por ter errado, por me ter tornado um espelho do que me feriu.

Apesar de tudo, eu sei que estou no caminho certo. Eu sei que hoje sou melhor do que já fui... Como pessoa. Sei que hoje olho para os lados, para a frente e para trás! Não quero pisar ninguém, e tento estender sempre a mão aos que precisam. Também já me curei um pouco, tu viste? Percebeste como agora eu sorrio mais? Como estou mais leve? Como quando aqueles pensamentos maus tentam assombrar-me eu os mando à merda? Ups, desculpa! Pimenta na língua!

Quero compensar-vos por todos os erros que cometi. Quero voltar a ser a menina que fui e que, algures nos anos, prendi numa gaiola por ela ser boazinha de mais, queridinha de mais, tontinha de mais. O mundo não é fácil lá fora... As pessoas comem-se vivas. E a mim tentaram sempre comer - e conseguiram muitas vezes. Mas quero retomar à minha essência e curar-me a 100%.

Sabes que esta é a minha banda favorita? E que, quando esta música saiu, ouvi uma vez e chorei tanto que nunca mais fui capaz de a ouvir? E o mais engraçado é que sempre, SEMPRE que eu entrava numa loja ou num carro era esta a música que tocava? E eu começava a falar para não a ouvir, ou simplesmente saia da loja, porque achava sempre que ia chorar. Mas hoje decidi ouvi-la e olha... Fica aqui, está bem? Fica aqui para ti, fica aqui para vocês.

21
Mar20

duplamente triste

Primeiro os voluntários desistiram, por causa do vírus. Então fechou-se o refeitório onde as pessoas desfavorecidas comiam. E agora, comem o quê? Não morrem da doença morrem da fome. Estive e estou tão triste, malta... Não se faz, porra! 

Depois fiquei triste porque o cãozinho que passeio à hora do almoço tentou morder... À séria! Eu já falei deste cão neste post, mas entretanto não dei mais novidades... Bom, para vos situar ele está desde janeiro numa casa temporária! Sou eu que o passeio à hora do almoço e gosto muito dele, apesar de ele me morder muito (supostamente na brincadeira, mas às vezes dói imenso...). Só que ontem, por querer um osso que estava na rua e eu não deixar (obviamente, não sei onde é que aquilo andou) ele mostrou os dentes todos de tal forma que parecia possuído! Rosnou tanto e tentou saltar para morder! Fiquei tão aflita que lhe chutei o osso para lhe fazer a vontade, porque não soube o que fazer naquele momento. Se ele mordesse muito possivelmente iria fugir pois a trela iria ser largada... E depois, como era? Agora estou com um pouco de medo dele... Foi difícil conseguir a sua confiança, será que a perdi? Será que vai tentar atacar de novo? 

20
Mar20

desafio de escrita dos pássaros #2.8 - foi tão bom, não foi

Foi tão bom apanhar uma camioneta sozinha, fazer três horas de estrada para cada lado, sentir-me independente. Foi tão bom passear por Coimbra, conhecer aldeias pequeninas rodeadas de verde, ver como é a vida totalmente oposta à da cidade grande. Não foi bom sentir pressão, ouvir-te dizer que não posso falar com rapazes e ver-te decidir que roupa eu devia usar. Não foi bom chamares-me nomes, me obrigares a ficar trancada em casa, fazeres jogos psicológicos comigo. Não foi bom ser traída, à distância, com tantas raparigas, virtual e fisicamente. Não foi bom pregares-me uma rasteira e ainda me empurrares para o chão, chão esse onde me deixaste estendida depois de me pisares e pontapeares. Não foi bom ter de decidir escolher-me a mim, quando tudo o que eu tinha era quinze quilos a mais no corpo e a menos no coração. Foi tão bom namorar contigo... Só que não, não foi. Desculpa a honestidade, não quero cuspir no prato em que comi nem te tratar como se fosses o culpado de tudo... A culpa também foi minha por ter permitido que brincasses assim comigo. Mas agora estou tão bem e tu és só (mais) uma mancha negra no meu histórico amoroso. Foi tão bom superar!

18
Mar20

vai-te embora, bicho

Não estou de quarentena. Quer dizer, não estava... Agora não sei se passo a estar. De qualquer das formas, como é óbvio não ando nem vou andar a passear. E isso, há umas semanas, seria ótimo para mim: descansar quando posso e aproveitar para fazer vários nadas. Só que neste momento é uma espécie de mini pesadelo!

Quero sair. E é tão giro que só queremos o que não podemos ter. Ou pelo menos comigo é assim... Gosto do impossível, gosto do que não dá para ter. Já estive aqui a rever fotografias que talvez publique no Insta, ainda não sei, mas o que é certo é que as revi e senti nostalgia.

Quero passear... Quero andar de barco, ir à outra margem sem qualquer propósito! Quero ir para Belém, quero observar o Tejo calmo, a ponte sempre linda, os barquinhos. Quero queixar-me dos turistas, dos pombos, das gaivotas. Quero ver a fila para os Pastéis de Belém, quero ver a rua cheia de Tuk Tuk com estrangeiros, quero ver os autocarros vermelhos e amarelos a abarrotar. Quero tirar fotos à Torre de Belém e, quem sabe, lá voltar - mesmo que não haja nada lá dentro para ver. Quero definitivamente ir ao Planetário. Quero ver o amarelo brilhante do Terreiro do Paço e, novamente, queixar-me dos pombos! Quero pisar a calçada maiii linda do mundo inteiro, aquele preto e branco maravilhoso mas muito escorregadio. Quero ouvir as ciganas chamarem "menina, venha cá para lhe ler a sina!" e negar educadamente. Quero reclamar do trânsito em Cascais e ir ali para perto do Museu da Eletricidade comer um gelado. Quero ir ao Oriente, passear pela ponte de madeira a tremer de medo que aquilo caia, andar de teleférico (a tremer de medo que aquilo caia), quero ir ao mac do Vasco da Gama e queixar-me que eles enchem as batatas de sal (eu odeio coisas salgadas). Quero entrar no Casino e sair sem jogar nada por ter medo de apostar. Quero ir ao Bingo e sentir um pico de ansiedade por ver que só falta um número para fazer linha e ter de gritar. Quero andar de autocarro e queixar-me que não há um único lugar livre. Quero ir ao shopping, quero resmungar ao ver os preços das roupas, quero ir ao cinema e empaturrar-me de pipocas com M&M. Quero ver o Marquês pintado de vermelho e descer a avenida a cantar "pró ano há mais, olhá cabeça". Quero ir ao Estádio da Luz, ficar perto dos NN (gosto do entusiasmo e particularmente do cheiro a chá que me deixa levemente brisada - esta última parte é a brincar xD), cantar o hino de cachecol para baixo porque me doem os braços e fazer tremer as cadeiras. Quero dar beijinhos e abraços às pessoas!

Vai-te embora, bicho estúpido. Eu quero que desapareças para que eu volte a fazer tantas coisas giras que, às vezes, me dava preguiça de fazer por achar que as ia poder fazer sempre... E agora não posso...

o estaminé

criado em agosto de 2019. no início chamava-se "ser de verdade", porém a pseudo autora decidiu que "uma longa história" assentava melhor, já que a sua vida era, de facto, uma longa história. aqui encontras pensamentos, desabafos, traumas, experiências, opiniões e um quê - mas só mesmo um quê - de idiotice

quem escreve

mariana ⋅ 23 anos ⋅ rainha do mau feitio ⋅ ex-nómada pelo mundo da blogosfera ⋅ apaixonada por escrita mas com sérios problemas em se expressar

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baú

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